AVISO: Esse texto foi escrito exclusivamente com o intuito de difamar as mulheres. Se for o seu caso, esteja ciente de que você foi avisada antes de prosseguir com a leitura. (não que isso fosse adiantar).

Levei exatamente 44 anos para perceber que todas as mulheres são iguais. Senso materno, todas elas tem. Quer dizer, eu não conheço nenhuma que nunca desejou ser mãe. E, nesse desejo feminino, quem se da mal somos nós, homens. O desejo é muito simples: a ação mais nobre, para ser sincero, se torna a atitude mais repressiva possível. Atitude, essa, que permite que as mulheres falem “não”. Com que desculpa? Sempre a mesma: proteger os filhos.
Quanto a isso, tenho duas teorias formuladas no meu devaneio matinal (são três e vinte e dois, e estou com fome). A primeira a ser comentada diz que assim que uma mulher nasce, ela recebe uma cota de “sim’s” para ser utilizada durante sete ou oito décadas de opressão. Exemplo:
– Mãe, me compra um Kinder Ovo?
– Sim filho, mamãe faz tudo por você.
Depois que essa cota acaba, prepare-se para ouvir não atrás de não.
– Mãe, vou fazer uma tatuagem.
– Não! Porra, vai estudar.
Juro, até hoje não sei o que o cu tem a ver com as calças. Tipo, se eu fizer uma tatuagem, eu obrigatoriamente me tornarei um marginal e vou parar de estudar?
De qualquer jeito, vou pular para a outra teoria. Acho que já fiz claro meu ponto quanto a essa. A outra teoria, apesar de ser mais simples, é a que levo mais fé que seja real: é mais fácil dizer não do que sim.
Com onze anos:
– Mãe, posso namorar a Amanda?
– Sim amor, ela é uma gracinha.
Com treze anos:
– Mãe, posso ir ao cinema ver Mortal Kombat?
– Não sei filho. Quem vai com você? O filme não é muito violento?
Com quinze anos:
– Mãe, posso dormir na casa da Amanda?
– Não.
– Mas…
– SEM MAS. Não é não.
Nessa época, minha mãe decidiu que nada que viesse da minha boca era digno de atenção.
Dezesseis anos:
– Mãe, eu posso…
– Não.
Dezoito:
– Mãe, eu pos…
– Não.
Dezenove:
– Mãe, eu p…
– Não.
Meu aniversario de vinte três anos. Finalmente tomei coragem (e três doses de tequila pra peitar a minha mãe):
– VOU ME CASAR COM A AMANDA. PRONTO, FALEI. SEM MAS.
– Ok.
Cinco anos se passaram, me mudei com a Amanda para um conjugado lindo em Copacabana (com ótima vista para a favela), e comecei a perceber semelhanças entre ela e minha mãe.
– Amor, posso ir à casa do Renato ver o jogo do fluminense?
– Não sei. Quem vai? Que horas você volta?
Trinta anos:
– Amor, é despedida de soltei…
–Não. Você não vai e ponto final.
Trinta e sete anos:
– Amor, vou fa…
– Não.
Com mais maturidade do que nos meus vinte e três anos de vida, resolvi encarar a Amanda e já cheguei abrindo o jogo.
– Ganhei na mega sena. Corre e faça as malas porque eu vou viajar.
Tenho certeza que vi a Amanda ficar tão pálida quanto um fantasma.
– NOSSA AMOR, que bom! E eu coloco o que? Roupas de frio, de calor?
– Por mim, tanto faz mulher. Desde que você esteja fora daqui em uma hora senão eu perco o voo.
————————-
Extraído do Fuck Yeah Textos