Booger Network

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Booger Network é uma compilação de blogs dispostos em diversas categorias. Estamos em fase de expansão e em breve teremos mais blogs e diferentes categorias.

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.: Malvadas :. » Contos e Textos

Poderosa em vez de medrosa

por em 9/11/2009 às 16:48

No Brasil, infelizmente ainda existe um número vergonhoso de mulheres sendo abusadas, desrespeitadas e subjugadas. E muitas, ao contrário do que a maioria pensa, tem nível superior de educação. Nas que tiveram menos educação, posso compreender (sem concordar) a falta de autoestima. Mas nas que tem a chance de se educarem, queria saber até quando vão suportar essa situação.

Quero deixar bem claro que este artigo foi intencionalmente escrito para contribuir e não para julgar ou justificar. Acho absurdo o número de mulheres no Brasil e no mundo que sofrem por este tipo de desigualdade social. Quero deixar minha opinião registrada sobre esse câncer social.

Já venho há algum tempo lendo na Internet reclamações pesadas contra os homens pelas situações vergonhosas pela qual muitas mulheres estão passando, e me pergunto: Será que vamos conseguir vencer os obstáculos em relação ao machismo somente reclamando que os homens não nos respeitam e que não há leis severas o suficiente para diminuir o número de abusos alarmante neste país?

E quem foi que nos disse que somos do sexo frágil? Um homem ou uma mulher? E isso é verdade?

Em minha opinião, enquanto não cuidarmos de nós mesmas, aprendendo sobre nossos desejos mais íntimos e nossos sonhos mais altos, sem esperar que os homens nos respeitem primeiro, a injustiça social contra a mulher não vai acabar.

Seremos mais poderosas ainda quando aprendermos a ser feliz em toda a extensão da palavra sem esperar que os homens nos deem o devido e merecido respeito. Sei que isso é possível simplesmente por que vivo feliz desde que escolhi ser assim, com ou sem um homem pra me dar o aval da felicidade completa. Quando escolhemos algo com paixão e devoção, é garantido que conseguimos. Nelson Mandela, enquanto estava no cativeiro, nunca disse a um repórter que estava preso, mas que estava se preparando para o dia em que seria livre e se tornaria um dos líderes mais inspiradores da história da humanidade.

Temos um fato importantíssimo para ser usado como trunfo para nos prepararmos para uma vida – e um mundo – melhor: temos o poder de criar a vida de um novo ser em nosso útero. E se usarmos a enorme oportunidade de criarmos nossos filhos depois do parto para respeitarem as mulheres, com certeza contribuiremos para a formação de uma nova geração de homens. Se nós somos as responsáveis pela criação dos homens, por estarmos em contato com eles desde criança, é contraditório que não os ensinemos a nos respeitar. E se não o fizermos, estaremos entregando a outros o poder de ensiná-los e orientá-los para a construção de uma sociedade melhor. O mesmo deve ser feito em relação às filhas, que também devem aprender a respeitar outras mulheres. Existe muita intriga entre nós. Precisamos nos unir mais!

Nem todos os homens são agressivos fisicamente e inseguros emocionalmente corruptos ou larápios. Particularmente, adoro o sexo oposto. Já conheci homens maravilhosos. E parabenizo a todos que tratam as mulheres com respeito e carinho. Existem verdadeiros cavalheiros dedicados por toda a parte, mas devemos selecionar e escolher o que é melhor para nós. Acreditando no nosso poder mental e nunca desistindo de nossa força de atração universal! Podemos e devemos escolher um homem excepcional.

Portanto, minha querida irmã mulher, abra sua mente, seu coração e suas asas porque você também pode voar alto e nunca mais voltar à escravidão de um tempo remoto, onde nossas avós deixavam os homens desligar suas luzes, suas energias e seus direitos. Temos direito de viver feliz de igual para igual. Bom mesmo é viver com respeito mútuo, conscientes dos nossos poderes ilimitados e absolutos. Com possibilidades para criar uma união positiva entre dois seres que se amam.

Isso sim é que é poder, viver e vencer! Saber como usar o poder interior de seu ser!
Parabéns por ser mulher.

Lygya Maya – disponível aqui

A Fábula do Porco-Espinho

por em 4/11/2009 às 16:05

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente. Mas, os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam maior calor.

Por isso decidiram afastar-se uns dos outros e voltaram a morrer congelados. Então precisavam fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram!

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde
cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e consegue admirar suas qualidades.

Separe o seu luxo

por em 4/11/2009 às 14:52

Uma vez li uma definição de supérfluo que achei simplesmente perfeita: “supérfluo é tudo que não importa pra você”. Genial isso. Tem muito a ver com valores, que assim como a própria palavra já diz: cada um tem os seus. E aí? Quanto valem as coisas que mais importam pra você?

Tenho pensado muito nisso, nestes tempos de crise. O que realmente tem valor, já que todo mundo agora precisa poupar? Então resolvi fazer minha própria definição de luxo, porque é por aí que os economistas recomendam que a gente deve começar a cortar, não é mesmo?

Pra muita gente, luxo pode ser um grande privilégio, ser dono de uma lancha de 30 pés, frequentar um Spa 5 estrelas, fazer um cruzeiro pra Grécia, ter um Porsche ou morar em uma cobertura de mil metros quadrados. Ok, ótimo! Mas isso tudo são luxos que o dinheiro pode comprar. Mas e aqueles luxos intransferíveis, exclusivos, divinos e verdadeiramente impagáveis?

Particularmente são os que mais me seduzem. E esses não precisam ser cortados. Bem pelo contrário, deveriam ser mais perseguidos do que técnico de seleção em Copa do Mundo. Sabe por quê?

Luxo é amar e ser correspondido. É fazer uma viagem linda e morrer de saudade da família. É gozar de saúde e bom humor aos 80 anos. É ter amigos que te falam a verdade. É sentir tesão e amor pela mesma pessoa, por anos a fio. Luxo é ser respeitado pelas suas ideias. È ter a natureza como vizinha e receber o amor dos filhos pra sempre.

Luxo é se divertir trabalhando. É realizar sonhos de infância e continuar sonhando, apesar de ter crescido. Luxo é comer fruta do pé. É não ter muro ao redor de casa. Luxo é ter paz de espírito, apesar do caos.

Luxo é saber separar tudo isso do supérfluo que o mundo insiste em nos vender bem caro. Que tal uma grande reciclagem de valores? Quem puder fazer isso, quem sabe até consiga sair dessa crise uma pessoa melhor do que entrou.

Luciana von Borries

Cap. 1 - A re-caída.

por em 1/11/2009 às 4:39

Depois de ter a minha vida virada do avesso, pisoteada, destruída e dilacerada, eu comecei a levantar. Tá, isso foi beeeeeeeeeeeem devagar, mas até que eu dei conta do recado direitinho e fiz tudo que uma pessoa largada pode fazer: quase morri de dor, chorei, me desesperei, corri atrás, me humilhei, me revoltei, caí na balada, bebi e chorei na balada, não me importei, me importei demais, e comecei a esquecer depois de entender que realmente não era pra ser, que eu não podia fazer mais nada.

Claro que tudo isso me deixou cicatrizes imensas, mas a mais notável foi o meu “resfriamento” diantes das relações amorosas, eu não conseguia mais sequer querer ficar com ninguém. Achava todo mundo muito chato, muito burro, muito entediante, feio e sem graça.

Ninguém era bom o bastante, ninguém merecia de fato a minha atenção e eu tava meio cansada de sair por aí tentando conhecer pessoas legais. Eu não queria conhecer ninguém, não queria ninguém, nem a mim mesma. Mas nem tentar fugir de mim eu queria.

Foram 5 meses desse tédio que eu até gostava, da solidão que eu preferia e fazia de tudo pra manter. Eu queria ficar sozinha.

Não vou mentir. Até fiquei com alguns caras algumas vezes seguidas, mas sei lá, nada muito empolgante, que me desse vontade de tentar algo, e assim eu acabava sumindo e deixando o “tal” pra trás. E num sábado que eu saí obrigada de casa, reencontrei um conhecido que fazia muito tempo que eu não via. Tinha o conhecido no carnaval, e depois só algumas conversas no msn. Nada demais. Nesse reencontro, acabou rolando uma ficada, que acabou na tarde do outro dia, dentro do meu quarto. Ai, foi maravilhoso! Enfim eu tinha encontrado alguém que valia a pena, que eu achava inteligente e interessante ao ponto de me fazer esquecer aquele que já não queria fazer parte da minha vida. E pra ajudar, era lindo e tinha os olhos claros, o meu ponto fraquíssimo! Mas aí o que aconteceu? Não deu certo.

Ficamos na segunda depois da balada de reencontro, e depois nos vimos pra ir ao cinema ver um filme que eu já tinha visto (péssima mania que eu não consigo perder), três semanas depois. E nada mais. Nenhuma ligação, nem recadinho, nem email, nem mensagem. Um silêncio perturbador, e a sensação que vai ser sempre assim, que a síndrome do dedo podre vai me seguir pra sempre e eu nunca vou conseguir encontrar alguém que, sei lá, queria mesmo ficar perto de mim.

Sobre isso, já escutei que tenho que mudar meu comportamento primeiro, que tenho que ser mais reservada, que tenho que desencanar de achar alguém, que tenho que procurar nos lugares certos, que eu tenho que esperar o momento chegar, que não tenho que procurar nem esperar nada, que a vida é mesmo assim, e que certas pessoas não tem a vida amorosa tão fácil como as outras. Com todas essas possibilidades, e com mais uma decepção nas costas, prefiro voltar pro meu isolamento voluntário, pro meu cantinho, onde não entra ninguém, e só tem eu comigo mesma, e me dedicar a coisas que são concretas e certas, como meu trabalho e minha facul. Cansei de viver de fantasia e esperanças falsas.

A Aposta

por em 26/10/2009 às 14:38

Ela era fantástica. O homem que aproximou-se dela teria toda a razão de prostrar-se à sua frente, com a cara no chão. Isso: não era uma mulher, era um altar barroco. Mas o homem ficou de pé. E disse:

- Não leve a mal…

- O quê? – disse ela, lá de cima.

- É que eu e meu amigo, ali, fizemos uma aposta…

- Que aposta?

- Que você me daria um beijo na boca. Um longo e apaixonado beijo na boca.

- O quê?!

- Espere, por favor. A aposta é de um milhão de reais.

- Um milhão?!

- Se você me ajudar a ganhar a aposta, metade do dinheiro é seu.

- Metade de um milhão para mim?

- É.

Ela pensou durante alguns segundos. Depois ergueu-se do banquinho do bar, abraçou o homem e lhe deu um longo e apaixonado beijo na boca. Ao fim do qual o homem sacudiu a cabeça e disse, desolado:

- Perdi.

- Como, perdeu?

- Eu apostei que você não daria.

——————
Claro que é do Verissímo!

Era uma vez um dia...

por em 22/10/2009 às 15:32

Era uma vez um belo dia qualquer. Um dia em que eu fiz as mesmas coisas de todos os outros dias até aquele momento. Acontece que eu apontei a minha mira para alguém que não devia. Essa pessoa apontou a mira dela para mim. Fiquei sem ação e ergui os braços me rendendo. Me entreguei. Nunca tinha me entregue dessa forma, por completo. O meu corpo, alma e cabeça não me pertenciam mais. Alguém tinha o controle da minha vida. Ele poderia me levar para onde e como quisesse. Do céu ao inferno. Eu confiava minha vida a ele. Pedi para ele entregar a vida dele pra mim. Mas ele não se entregou. Na rua da minha insanidade ele saltou quando chegamos à beira do penhasco. Ele foi covarde e me deixou pular sozinha. Eu caí sem gritar. Fiquei esmagada entre as pedras. Sozinha. Ele foi embora e nem olhou para trás. Homens não costumam ter culpa. A memória deles é curta. Depois desse dia, eu nunca mais fui a mesma.

Levantei, escalei, sai do penhasco. Me arrastei até o pedaço de sanidade que me restava e gritei por ajuda. Me socorreram, mas ainda estou em observação. Dizem que não vou mais correr como antes. Estou limitada. Não posso mais beber, sorrir, me entregar e muito menos cair. Virei uma pessoa frágil. Logo eu, que nunca quebrei antes. Era invejada por ser difícil de derrubar. Agora eu não arrisco mais. Eu. Olho no espelho e não sei mais quem sou. Não sei onde eu perdi quem eu era. Acho que evaporei.

A única coisa que eu tenho certeza é que isso não poderia ter acontecido. Não se deve deixar as coisas chegarem longe demais. Acreditei que era certo, verdadeiro, válido. Mas, não era. Não penso em construir uma fortaleza para mim. As fortalezas só protegem os fracos. Os fortes entram na nossa vida pela porta da frente, e o pior, com nosso consentimento.

Eu sabia o que me esperava. Mesmo assim, continuei em frente. Um dia eu fui assim. Eu ia em frente, sabia onde ir e o que fazer. Não tenho nenhuma culpa, nenhuma dúvida, nenhum arrependimento. Estou limpa. E sei que você está imundo. Mas o que você é para mim não chega nem perto do que você quer ser para o mundo. Eu sei o que você é. Eu sou a única pessoa neste mundo que realmente sabe o que você é. Nem você sabe. E é por isso que continuo, por isso que não desisto, por isso que não viro as costas para você. Tudo que eu queria era que você também soubesse. Se ao menos eu soubesse me enganar como você. Mas não. Eu sou de verdade. E essa vai ser minha sentença de morte. A verdade mata. Pare de mentir.

Encontro com a vida

por em 20/10/2009 às 17:10

Maísa ainda não tinha se acostumado com a rotina do novo apartamento. Novos vizinhos, novas preocupações e novos barulhos. A proximidade dos prédios em São Paulo a deixava um pouco assustada, era tão acostumada a pacata cidade do interior. Seu limite era as suas paredes. Durante uma semana, só saia de casa para comprar comida. Voltava correndo, assustada, como se o mundo fosse a engolir. Sentou no chão ainda sem tapete e ouviu um suave som de sax. Foi até a janela e percebeu que os vizinhos já haviam se habituado com a música. Passados dias, semanas e meses, pontualmente as seis horas da tarde alguém tocava sax. Já havia virado rotina na vida dela. Diariamente ela esperava o som e se sentia em paz.

Em uma tarde qualquer, uma amiga veio lhe visitar. Maísa contava o feito do músico e ambas aguardavam o horário. Suave e intensamente o som do sax começou a se espalhar entre os prédios. Ambas ouviam extasiadas a melodia. Eis que a amiga lhe faz questionamentos que ela não tinha parado para pensar. Quem estava tocando o sax e por que a mesma canção no mesmo horário todos os dias? Em um surto de curiosidade, a amiga encorajou Maísa para ir atrás de respostas. Desceram as escadas cheias de adrenalina e indagaram o porteiro sobre o som e o autor daquele espetáculo.

O porteiro suspirou. Foi até a frente do prédio e apontou o apartamento 510. Contara que a sinfonia era entoada há mais de um ano por um jovem que tentou se matar com veneno de rato. A irmã dele chamou a ambulância a tempo de fazerem uma lavagem estomacal, porém, ele ficou cego. Desde então, vivia confinado no apartamento dos pais. Entretanto, todas as tardes, no mesmo horário em que tentou o suicídio, tocava a sua canção favorita, como num ritual de despedida ou de encontro com a própria vida.

- Conto dedicado à leitora Sheila Lange

Buquê de flores

por em 19/10/2009 às 18:53

Então você estava carente, eu estava carente. Resolvemos nos encontrar e compartilhar carícias. Gastei o meu melhor perfume, vesti minha melhor calcinha e saí com você. Ao chegar, você me deu um buquê de flores. Lindas, por sinal. Conversamos, rimos e nos olhamos. Chegou um momento que não havia mais assunto a dizer. Não estávamos ali para conversar. Eu tomei a atitude e te beijei. Naquele momento nada mais me importava, parece que o mundo sumiu e sobramos somente nós naqueles lençóis. O mundo eram aquelas quatro paredes. A entrega foi mútua. Tivemos as melhores horas da semana e quando o prazer estava acabando, me lembrei que não éramos nada além de conhecidos. Uma troca de favores. Um alívio momentâneo. Saímos deixando para trás o desejo esgotado. Você foi me deixar em casa e quando parou em frente ao meu portão, não sabia se o beijava. Optei por não fazê-lo. Agradeci, peguei meu buquê e entrei pelo portão sem olhar para trás. Fiquei observando as flores. Eram as flores mais lindas que eu já vi. Dia após dia elas foram murchando. Eu as regava e não compreendia o motivo que elas continuavam a murchar. As coloquei no sol, na chuva, na terra e na água. Dei todo o meu amor, muita luz, dei rua e teto. Tentei de tudo e nada adiantou. As flores que você me deu estavam mortas, meu bem.

Abra a porta

por em 18/10/2009 às 19:13

Certo domingo, dia em que publico meus textos, escrevi sobre o “grau de safadeza” que devemos ter. O texto de hoje, pode parecer contraditório ao anterior, mas explico: ser safado não quer dizer que você não precisa ser educado ou ter falta de romantismo.

Muitos homens reclamando das mulheres: que elas estão cada vez mais superficiais nos relacionamentos, que são safadas, até naquelas entrevistas que passam na televisão vemos homens dizendo que elas estão traindo mais, etc. Isso me fez pensar que talvez elas só estão cada vez mais parecidas com os homens. Porque se um homem é assim ninguém fala nada. Afinal, elas já buscam a igualdade há muitas décadas, seja no trabalho, na sociedade e no amor também.

Então, ficar sentado e esperando as coisas acontecerem não resolve nada. Pensei em coisas que os homens talvez poderiam fazer para mudar isso. Pra você, homem, que faz parte destes que reclamam, continue lendo, mas se você que acha está tudo bem assim, é bom ficar de olho só nos comentários por enquanto.

Eu não costumo dar minhas opinões pessoais quando escrevo, mas eu acredito que nós atraimos aquilo que transmitímos. Quantas vezes você marcou um encontro e foi buscar a garota em casa ou outro lugar qualquer, até na porta da faculdade que seja, e abriu a porta pra ela? Você ligou no dia seguinte? Pior ainda. Mandar uma única rosa que seja? Não, não. Eu já fiz isso algumas vezes, funciona muito bem. Educação por acaso saiu de moda?

Encare isso como um desabafo, eu mesmo já reclamei algumas vezes, mas ai pensei: “peraí, eu sou pior ainda”. Portanto rapazeada, não reclame mais das mulheres. Se você acha que está ruim, faça a sua parte. Mude pra depois pedir mudanç. Quem sabe nem precisará mais pedir.

E para as nossas leitoras queridas, vão firme!

CHEGA DE HIPOCRISIA MASCULINA!
@alangregorio

As pessoas não mudam...

por em 15/10/2009 às 20:33

- Acho melhor você não confiar em mim.

As palavras dela o deixavam ainda mais confuso.

- Não consigo te entender!

- Fácil, querido, eu não sou confiável.

Essa noção que ela tinha de quem era ela mesma o perturbava. Nunca tinha conhecido ninguém que se denominava “não confiável”, e só pessoas que se denominavam queridas, confiáveis, leais, fiéis. Essa maneira fria que ela tinha de reconhecer os próprios defeitos o fazia amá-la ainda mais. Ela nem sabia quais as qualidades que tinha, mas conhecia dolorosamente os próprios defeitos, e não os escondia de ninguém. Não se sentia torpe ou vil por admitir realmente quem era, e isso a fazia leve, sem culpa de nada, tranquila. Era assim, não confiável, malvada, cruel, perversa. Feliz.

- Eu não me importo, confio em você mesmo assim.

- Não estou brincando, isso não é um jogo de sedução pra depois você achar que com você é diferente e que com você eu sou confiável. Eu não sou! Você não é diferente dos demais pra mim, eu não tenho considferação especial nenhuma por você. Vou contar seus segredos pra todo mundo, vou te trair, te apunhalar, e tudo isso da maneira mais normal e sonsa do mundo.

- Mesmo assim, é instintivo confiar em você.

Ela se enfurecia com isso.Todos tinham muito cuidado com ela, menos ele, e mesmo assim ela não mudava seu comportamento, nem quando estavam só os dois. Mesmo sabendo que ela não fazia tipo nem camuflava os próprios defeitos, ele ainda ficava perto dela, confiava nela. Contava os segredos que tinha, e ela sempre contava pra alguém, ou pra todo mundo, fazia isso da maneira mais natural do mundo, como quem bebe água num dia de calor.

Ela nunca fez nada pra ter a confiança dele, nem pra ter o amor dele. Ele sabia disso, e ainda estava sempre perto. Ele confiou nela o tempo todo e ela o deixou na mão muitas vezes. Ele a amou de verdade, e ela sabia disso. E mesmo assim ela não mudou.

O motorista

por em 13/10/2009 às 17:39

Mariana pegava todo dia o mesmo ônibus, no mesmo horário com o mesmo motorista. Tinham uma certa intimidade. O motorista se chamava Agenor. Tinha um bigode enorme que os garotos do bairro chamavam gentilmente de asa de pomba. Quando Mariana entrou no ônibus estava com os olhos inchados de tanta desilusão amorosa, tinha recém levado um pé na bunda do namorado.

- Mais o que se passa com você moça?

-  Ah, seu Agenor. Fui trocada por outro homem.

- Aqui no Sul que é assim. Você precisa ver lá no Maranhão. Lá sim tem homem de verdade. Dá em média oito mulheres pra cada homem.

- É mesmo?

- Ora essa, eu não me desgarro de lá por nada. Vou em média quatro vezes por ano.

- E por que o senhor não volta morar lá?

- Não posso, minha dona mora aqui.

- Sua o quê?

- Dona Maria, minha dona. Já faz uns quinze anos que eu tô tentando gostar dela.

- Quinze anos? Tentando gostar? Que horror, ela por acaso gosta de você?

- Não, não.  A gente apenas se entende.

- E por que diabos vocês estão juntos há tanto tempo?

- Já ouviu aquela música que se chama “Eduardo e Mônica”?

- Ah, não! Pode parar. Eduardo e Mônica se gostavam!

- Não, eu quero dizer que a minha dona é muito adiantada. Ela sabe e conhece tudo, sobre tudo.

- Ah, ela é mais velha que você? Tem mais estudo, igual a Mônica?

- Isso mesmo. Só gosto de mulheres mais experientes. A mais nova que eu me envolvi, tinha 25 anos.

- Ah, mas 25 anos não é ser velha!

- Ela tinha 25 anos e eu tinha 14. A minha dona, tem 58 e eu to procurando uma de uns 72…. por aí! Você por acaso conhece alguma senhora de 70 anos solteira?

- Tem a minha avó! Mas acho que ela tem uns 75 anos. Ah, para vai. Você quer mesmo uma de 70?

- Se você me arrumar uma de 70 anos eu vou fazer ela se sentir a mais jovem das moças. Farei dela a mulher mais feliz do mundo.

- Céus, e a dona Maria?

- Ah, a Maria não quer ter filhos. Isso é horrivel.

- E você acha que uma mulher com 70 anos vai querer?

- Hm, possivelmente não, né?

- Você deveria voltar para o Maranhão!

Mariana chegou no ponto onde descia. Se despediu do motorista e colocou os fones de ouvido ainda atordoada com a conversa que acabara de ter. Relacionamentos são estranhos! – pensou. Na rádio, coincidentemente, começou a tocar “Balada do Louco”, do Raul Seixas. Ela acreditou que isso foi apenas uma mera coincidência.

Sem dose

por em 7/10/2009 às 17:20

Marina sentiu um frio na espinha quando foi surpreendida por uma voz levemente sedutora dizendo seu nome.

- Marina!? É você?

Nem precisava virar para saber quem era. Ficou paralisada por alguns segundos. Merda! – pensou. Era justamente a última pessoa que gostaria de ver. Incrível a capacidade de encontrar as pessoas certas quando se está na situação errada. Passou a mão no cabelo para ver se ajeitava. Se esforçou para não parecer patética. Virou com descaso, respirou fundo e sorriu. Sentiu um arrepio na espinha. Como era bonito o desgraçado. Ainda mais de terno com o cabelo levemente bagunçado.

- Como você está?

Pensou em responder que estava recheada de olheiras e com os cabelos desgrenhados. Resultado de infinitas noites sem pregar o olho porque estava morrendo por não o ter ao seu lado. Mas, Rafael é homem. E homem, nunca repara nessas coisas.

- Estou ótima, garoto. E você?

Ele riu. Deu um sorriso de quem não estava muito bem. Arriscava até a dizer que era um sorriso de angústia.

- Eu… Eu estou bêbado.

Isso não era nenhuma surpresa. Marina não se apaixonaria por alguém que não bebesse. Quem a acompanharia? Ficou observando suas mãos, bocas e olhos. Realmente, Rafael era em disparada o desperdício mais perfeito do mundo. Mesmo estando um pouco murcho e alcoolizado naquela cidadezinha ridícula, naquele bar ridículo. O peito de Marina endureceu. Não havia nada que pudessem conversar. Ambos não queriam diálogo. Tinham tanto para dizer. Quem sabe até chorar e sacudi-lo para tentar achar algo que não estava mais lá. Um amor escarrado, que foi descartado e arremessado ao nada junto com os meses que dedicaram um ao outro. Vazios. Estavam com nenhuma vontade de chorar e, ao mesmo tempo, vontade de ter vontade de chorar muito para descongelar. Marina estava petrificada.

- Eu quero ficar.
- Ficar?
- Alcoolizada.
- Hm…
- Achou que era…
- Não…
- Achei que você tinha vindo…
- Vim para te ver. Você vai ficar?
- Alcoolizada?
- Não, aqui.
- Você quer que eu fique?
- Se você quiser…

Um sentimento de desespero a nocauteava por dentro. Queria fazer tudo certo. Não dizer nenhuma imbecilidade que o fizesse correr. Estava acostumada a se auto-sabotar.

- Não espero nada de você, Rafael.
- Então fica.

Sabia que tinha mentido. Parecia uma pinóquio. Talvez essa tivesse sido a maior mentira que já havia contado. Ela esperava muita coisa dele. Esperava que ele a amasse, que ele não sumisse, que não fugisse depois de dizer que já voltava. Queria que ele tivesse o mínimo de dignidade para mandá-la embora antes de trancar a porta por fora e a deixar esperando dentro de casa, esperando ele voltar. Ele já tinha a deixado esperando uma vez. Ela esperou até entender que ele foi covarde e fugiu.

Sentiu como se um trilhão de pessoas gritassem no seu ouvido em alguma língua que desconhecia. Podia ser em Russo, talvez. Estava tonta e confusa. Não queria acreditar onde havia se metido novamente. Se ao menos tivesse programado o encontro antes, teria praticado no espelho mil e umas falas. Não deveria estar ali. Não estava pronta. Rafael foi o primeiro amor de Marina. Primeiro e eterno. Faziam dez anos que se relacionavam em sexo e traições. Era por ele que frequentava há seis anos um escritório psiquiátrico. Ele já havia enterrado os restos dela achando que nunca seriam encontrados. Mas ela não desapareceu. Não era apenas uma garotinha sem rosto que pode ser substituída como pilhas quando ficam fracas. Marina sem dúvida é inesgotável e precisava de uma dose. Sem pensar duas vezes, virou um copo de Red Label sem gelo.

- Que merda de whisky.

Os russos foram se calando aos poucos. Respirou. Acendeu um cigarro. O barman a olhava. Pediu mais uma dose. Virou. Puxou Rafael e o beijou. Ele a abraçou. Ela sabia que iria ser apenas uma noite. Ela era o consolo dos dias tristes dele. Mas não achava problema nisso. Sabia que era uma mulher forte e certamente iria superar mais uma vez quando ele sumisse de sua vida…

Sonhando acordada

por em 5/10/2009 às 18:27

Não adianta você ficar quebrando a cabeça para entender os motivos certos. Certas coisas só são compreendidas se você analisa os motivos errados. Mesmo que seja só por um dia. Se ao contrário for, tudo será sem graça e sem rima e sem nada. Você não precisa necessariamente contar uma história da sua vida. Todas são exatamente iguais. Pra que contar? Eu vou repetir a minha até o fim, a minha, porque só ela é realmente minha. O resto fica para os outros, os que sabem. Eu falo a minha história na língua que quiser, no tempo em que bem entender. Posso amassar tudo e queimar com um isqueiro. Opa, opa, alô controle, é você? Que bom te ver novamente, juro que senti sua falta. Vem aqui, deite no meu colo e, por favor, me ensine tudo de novo. Eu sou a única que pode encontrar a paz. Eu sei que ela está perdida em algum lugar dentro de mim. Sorrio para você. Porque você está sempre lindo, limpo e imaculado. Quase sempre você tem os braços abertos só para mim. Você está comigo e nós estamos perdidos. Preciso ir agora, tenho que voltar à realidade. Boa noite, bom dia, boa tarde. Já volto, não demoro, prometo. Eu estou com você. Estou sempre com você, para sempre, até nunca mais.

Vaidade vs Viadagem

por em 3/10/2009 às 18:23

Sou um pouco ‘chato’ com alguns aspectos estéticos. Não estou falando de beleza e sim de cuidados. Vários produtos têm se destacado nas prateleiras comerciais com o intuito de cuidar da aparência masculina. Hoje você encontra serviços para homens que antes só eram prestados as mulheres e com isso surgiu o termo Metrossexual. Basicamente, eles se preocupam com o que vão vestir e cuidam dos cabelos, unhas e pele. O problema é que os metrossexuais são descriminados por esse excesso de cuidados e os outros homens, que até gostariam de se cuidar mais, preferem não arriscar para não virar motivo de chacota na roda entre amigos. Alguns ‘machos’ acreditam que vaidade masculina é sinônimo de viadagem. Por outro lado, isso é muito relativo. Depende do gosto e da cultura. Existem países em que as mulheres preferem os homens que se cuidam mais e em outros elas já não tem essa exigência com a aparência masculina.

Algumas pessoas acreditam que metrossexuais são gays enrustidos. Eu discordo. Defendo a tese que todo gay se cuida, mas nem todo homem que se cuida é gay. Querer estar com o cabelo arrumado, passar protetor solar e hidratante não é viadagem. Aliás protetor solar ajuda a prevenir câncer de pele. Hidratante, faz com que sua pele não fique uma lixa. É questão de saúde. Estar bem-vestido é questão de bom gosto. Cuidar da unha, questão de higiene.

Aqui no Japão, os homens se preocupam com isso. Concordo que às vezes as roupar são um pouco extravagantes demais. Mas, assimilar a cultura nipônica é meio complicado mesmo. Aliás, é normal que as pessoas estranhem qualquer cultura diferente da que estamos acostumados a conviver. E, quase sempre, criamos um preconceito em relação a isso.

Honestamente, não acho o fim do mundo um homem querer estar apresentável. Desde a minha adolescência eu me preocupo com algumas coisas. Primeiramente, as espinhas. Eu fazia limpeza de pele toda semana e surtiu efeito. Agora é meu cabelo. Apesar de parecer que não arrumo ele eu perco fácil arrumando ele em média uns 15 minutos. Sim, nesse quesito, podem falar que é viadagem da minha parte. Eu carrego na minha mochila: toalha; pote de wax; spray; escova de dente; creme hidratante; protetor solar; água para desinfectar machucado; curativo; lenço umedecido para limpar o rosto e desodorante. Isso não ocupa quase nada de espaço e faz com que eu sempre esteja preparado para qualquer coisa além de me manter sempre limpo. Ainda sobra espaço para o meu material nerd, até porque não saio de casa sem levar a filmadora e a câmera fotográfica (isso não adianta pois já devem estar pensado porra que japonês viadão).

Se cuidar não interfere e nem influência na masculinidade do homem. Ficar julgando o que é coisa ou não de homem é coisa de gente que tem problemas de auto-afirmação. Um cara não vai ser menos homem se quiser arrumar o cabelo ou não deixar a pele zoada. Cuidar da saúde não afeta o que você é. Além do mais, ser um pouco vaidoso ajuda (e muito) você a se dar bem com as mulheres. Se nós gostamos que elas estejam sempre bem arrumadas, não faz mal nenhum se arrumar um pouco para elas. Não acredita? Faça o teste e pergunte para a mulher que estiver mais próxima de você.

Saudades

por em 23/09/2009 às 17:54

Eu sinto saudades de ter frio na barriga. Saudades de me chamarem. Saudades de querer ir. Saudades da vontade. Saudades da necessidade. Saudades da disposição de passar noites em claro debruçada sobre você. Você foi embora procurar o novo. Novo amor e novo lugar. Calma, o novo sempre vem. O novo baterá na minha porta também. Mas antes eu tenho que arrumar o meu quarto e trocar os lençóis que ainda cheiram a você.