Vem essas bocetas e paus de perucas de hoje em dia me dizer o que mulheres e homens têm de fazer… Faça-me o favor, troca o disco! Eu faço o que eu quiser e homem nenhum precisa de “10 maneiras de identificar um macho de verdade”. Que porra é essa? Um macho nasce feito, não é listinha que vai mudar isso. E mulheres são sim beleza e delicadeza e romance. Desvirtuar a ingenuidade de uma mulher, destruir o que ela guarda desde a meninice, dizendo que mulheres não agem da forma A ou B é a forma de assassinato moral mais rude que já vi.
Deixa falar de esmalte, deixa falar de maquiagem, deixa trocar segredos de beleza, deixa viver. Ah, mas você ganha dinheiro separando homens e mulheres, né? Faturando com a insegurança alheia não chega a ser quase a mesma coisa que faz a igreja da lavação do santo cérebro? Não sei não. Odeio essas porras todas. Ah, listinhas e receitinhas de bolo… Machos não ficam lendo o que eles têm ou não tem de fazer, tão cuidando de suas fêmeas e suas crias. Macho de verdade é onde a honra de um homem se concentra.
Segurar a bolsa de uma mulher no shopping não o torna um pau mandado. É ser delicado a ponto de se oferecer a fazê-lo. Carrega, para não dar a ela esse fardo. É ser macho. Macho é delicado. Ou não carrega, vai de macho pra macho. Mas são os moleques quem dizem: “você trouxe essa bolsa, você colocou tudo isso dentro dela, então se vira para carregá-la”.
Mulher de verdade se afirma, se entende. Sabe onde pode pisar, se sente segura. Amor próprio vai muito além da academia, se vai! Amor próprio tem muito a ver com conhecer o próprio corpo, conhecer sua personalidade, seus limites, saber da individualidade de um casal e saber se descrever com apenas uma palavra:
- Mulher. (puta clichê, mas serve)
Mulher é a magia, é o dom, a forma, a cor. Mulher, se compreendida, é um nada. Mulheres não são feitas para ser decifradas, não são código. Mulher é espetáculo, é circo, é filme. É choro. Ser forte, para uma mulher, está muito além do não chorar em comédias românticas. É sustentar um filho sozinha, quando um moleque a abandona. É se ver sozinha com um filho e doar noites e dias para fazer dar certo. É aguentar parto, aguentar sangue. Aguentar salto alto, saia curta, depilações íntimas. Aguentar, em prol da própria beleza, do próprio amor, do amor alheio. Mulher é sim a beleza da forma mais pura e sublime. E a força.
O “yes, we can” se aplica a muitas mulheres. E o “Yes, we shoud“?
Mulher não é aquela ratinha que reclama do machismo, mas aquela leoa que entra em campo e faz bonito. Faz valer o seu direito, se prova, se mostra, se supera. Dá um tapa na cara da sociedade de engolir os dentes, emendando um “CHUPA“. Reclamar não muda. As feministas de antes não ficaram reclamando que “homem não precisa abrir a porta pra mim, eu sei muito bem fazer isso sozinha!”. Recadinho a você, ratinha que reclama de cavalheirismo: Ele sabe que você pode, mas não quer te dar esse trabalho.
Recadinho a você, macho que encontra uma ratinha dessas: deixe-a. Deixa a vida bater mais nessa daí, que a vida ainda bateu pouco. Você merece mais.
E macho que é macho não pisa nos direitos da mulher. Não pisa nos direitos de ninguém, de nada. Machos e mulheres (ou fêmeas, para combinar com o “macho”), são aquilo que são, sozinhos. Sem pisar e sem se deixar ser pisado.
Quer começar a reclamar de feminismo? Você pelo menos goza? Saiba, quando você reprime seu próprio prazer, reprime um direito seu. O outro está lá, revirando os olhinhos e você? Ao menos, você disse a ele como é que você gosta? Então antes de meter o dedo na cara do Macho e chamá-lo de moleque, vê se abre a boca. Reclamar, como eu disse, é tentar resolver um problema, no lazy mode. “Ah, eu me importo muito mesmo com os direitos femininos, mas sabe… deixa eu aqui cagando pelos dedos mais um tikin…” Só vence quem vai à luta. Vê desigualdade e luta por ela, e não reclama de algo que alguém disse ser verdade, que você nunca presenciou e quando vê na frente, nem sabe.
Quer lutar por igualdade? Entra num ramo onde não tem profissional mulher. Aí que eu quero ver.
Macho é admitir ser gay, subir num palco como drag queen. É a coragem superando medo. Com as mulheres idem! Muito mulher, a que se aceita gay. E aquela que vira e fala: “meu negócio é homem!” As modinhas tão tornando todas as da nova geração, bi. Bi é legal, é bonito, sou totalmente a favor. Mas vê se você consegue fazer isso num quarto, sem espectadores. Ou isso só tem um nome: exibicionismo.
Me tornando redundante de novo e mais uma vez, Homens Machos e Mulheres Fêmeas são aquilo que são, sozinhos. Não é lista e não é regra e nem esse post que muda isso. Já nasce. Há ratos e há leões, todos na mesma selva de pedra. Basta saber qual deles você nasceu sendo.
— gostou da menção ao rap nacional?
Ps.: isso não é uma afronta ao post da Gabe, sobre feminismo. Inclusive, acho qualquer tentativa de abrir os ojos da sociedade, algo muy bienvenido! (A gente nunca sabe que leitor vai encontrar, então explico pra não dar bosta)