O Ilustríssima convidou quatro pessoas para reescrever uma das cenas mais mornas de “Cinquenta Tons Mais Escuros”. Estas pessoas são Reinaldo Moraes, Carol Bensimon, André Sant’Anna e Juliana Frank, que tentarão ajudar Anastasia Steele e Christian Grey a esquentarem os lençóis.
“Um gosto de podre na boca
ANDRÉ SANT’ANNA
E ela chama isso de “fazer amor”. Já eu acho meio nojento. A começar pelo teatro. A cena do supermercado é obrigatória. A gente lá, pelos corredores, entre as prateleiras, escolhendo produtos especiais para uma noite especial:
- Vamos levar essa mostarda da Alsácia? Pega pra mim aquele vinho branco alemão. Olha só, Amor, o queijo que você adora!
Alguém tem ideia do gosto do beijo dela, depois do queijo que nós adoramos, do vinho branco doce e do boquete que ela faz questão de pagar em noites especiais?
Aí tem a cena da cozinha. Tudo teatro. Teatro não -comercial de molho de tomate. O casal sorridente, cortando pimentão, temperando frango. Então, ela começa a se esfregar. Fica encostando aquele bundão em mim, sempre fingindo naturalidade.
Não sei quem inventou que sexo é coisa espontânea. Quem faz sexo espontâneo é cachorro vira-lata. E é assim que me sinto: um vira-lata sarnento -o cheiro da cebola, do alho, do suor azedo que encharca meu sovaco nessas horas.
Silêncios constrangedores. Nós dois pensando em sexo, fingindo que aquele frango cru, ensebado, é a coisa mais importante da noite. Só que o frango, depois de assado e coberto por especiarias de “Primeiro Mundo” (quando quer elogiar algo, ela diz que é “coisa de Primeiro Mundo”) fica até bonito, cheiroso. A nossa alma é que vai ficando fedorenta.
E ela lá, com o bundão espontâneo, se esfregando espontaneamente no meu pau. Quer saber? Não gosto de intimidade com quem já sou íntimo.
Ela não aguenta o silêncio por muito e tempo e tem de falar alguma coisa. Qualquer coisa:
- Às vezes tenho a impressão que mal conheço você.
Que merda é essa? A gente já se conhece há mais de dez anos, já fez sexo em todas as poses pornográficas e ela ainda me envolve nessa conversa nada espontânea só porque não aguenta um silêncio de cinco minutos. Sou obrigado a responder qualquer coisa:
- Você me conhece melhor do que qualquer pessoa.
E pronto. Até poderíamos calar a boca por mais alguns minutos.
Mas não. Ela tem que falar, assim, de repente:
- Faça amor comigo.
Porra, mas a gente ainda nem jantou! E eu? Sabe o que eu digo?
- Boa menina.
E ela:
- Beije-me daqui até aqui.
O “aqui” dela é lá. O gosto na boca dura uns três dias. O queijo, o boquete, o vinho branco adocicado -ela é metida a chique, mas bebe “Liebfräumilch”- e, pra completar, o gosto que vem das entranhas dela. Dos infernos! E os barulhos do sexo oral? Tanto os que eu faço, quanto os que ela faz:
- Sssscccchluuuuuuuurrrrrrrrpppppfffffnnnnnnnssssplussssh!
Mas também não posso reclamar muito. Participo do teatrinho que nem um ator de filme pornográfico. Peço a ela que implore pelo meu “Bimbim” – o apelido carinhoso que deu para o meu pênis.
Sabe como eu chamo ela na hora do sexo?
- Baby!
Ai, que vergonha!
O cúmulo da simulação é quando ela tira a boca do meu pau e me empurra pra cama, simulando uma excitação bem maior do que a verdadeira. Outro dia, ela falou que eu era “hot”. “Hot”, eu? Não dá para trepar sem dizer nada?
Não. Não dá. Ela tem que ouvir e falar palavras como “Bimbim”, “baby” e “hot”.
Eu a chupo. Ela me chupa. Eu coloco meu órgão sexual dentro do órgão sexual dela. Ela fala:
- Mais rápido, Christian, mais rápido… por favor.
Eu digo a ela:
- Goze, baby. Goze para mim.
Eu gozo. Ela finge que goza.
Depois, o que sobra é esta sensação de ridículo, este gosto azedo na boca, este cheiro de ovo impregnado nas narinas. E ela chama isso de “fazer amor”.”
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Via: Juliana FrankTweet































É estranho. Sexo nunca é natural. Quando é a gente lembra por toda a vida. Me faz menos apaixonado o gosto azedo do final de “fazer amor”. Pode isso Arnaldo??!!
Este cara so pode ser gay me desculpa man nao tem como sexo nao ser bom, cara eu acho que o cara do conto queria um pau pra ele e nao uma bucetinha fazer o que gosto é gosto
Adorei seu blog, contei um blog de contos secretos que ocorreram na minha vida, se puder dar uma olhada ficarei muito grato.
http://johnnysexualdiary.blogspot.com.br
Parabens por seu trabalho.
Att,
John
Esse cara é gay! Respeito a opção sexual de cada um, mas pra mim não existe coisa melhor que mulher. Não quer passar por tudo isso vai dar o fuleco pô! Aí pode ter certeza, você vai se sentir realizado! PQP!
Talvez vc não seja casado. Talvez só namore. Sua namorada está sempre limpinha, nunca está limpando um frango, ou lavando uma cueca sua. Por isso vc pensa assim. Experimente fazer sexo quando sua mulher está na cozinha, cortando cebola ou limpando um peixe.