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Acabando com o envergonhamento dos magros

por em 28/05/2012 às 9:53

Contos e Textos, Dicas, Feminicies

Recentemente, tive um jantar com duas grandes amigas. Conforme estávamos nos atualizando com as vidas umas das outras, uma delas me conta a história de uma mulher no trabalho que vem tentando perder peso sem muito sucesso. Eles realizaram uma caça ao ovo de Páscoa no trabalho para todos e, é claro, dentro dos ovos haviam doces. Minha amiga, em seus esforços para se manter saudável, não participou, enquanto a sua colega sim. E quem foi repreendido? Eu gostaria de poder dizer que ninguém, porque uma pessoa deve se sentir livre para comer ou não doces, mas não é assim que funciona o mundo recentemente. Não, minha amiga, que preferiu não comer doces, teve de ouvir reclamações sobre sua escolha.

Eu vou admitir plenamente que sou uma pessoa de vinte-e-poucos que fez o clássico Regina George, “Realmente quero perder três quilos.” Eu tenho certeza que a maioria de nós fez isso mesmo sabendo que é detestável de nossa parte. Mas digo isso porque 1) nos sentimos obrigados a se sentir mal sobre nossos corpos. Se nos sentimos bem sobre nossos corpos, nós somos esnobes e vadias, e prefiro me sentir gorda do que esnobe ou vadia; e 2) se dissermos o que estamos realmente pensando, ninguém vai acreditar em nós de qualquer jeito.

Quando uma pessoa começa a malhar, elas tonificam, perdem peso e podem parecer até melhor. E você sabe o que acontece então? Elas são punidos por isso. Lembra quando Lea Michelle perdeu peso depois da primeira temporada de Glee? Honestamente você pensa que ela tinha abatido um bilhão de vacas e depois se recusado a comer qualquer uma delas, porque, claramente, a sua única razão para perder o peso era porque ela achava que estava gorda. Isso foi pressuposto do mundo inteiro. “Ela é muito magra!” As pessoas gritavam no Tumblr. “Ela parecia bem, o que ela está fazendo a si mesma, que tipo de mensagem é que ela está enviando para as crianças devemos queimá-la no BIFE.” Steak, stake, viu o que eu fiz? Não importa. *(Steak = bife, stake = estaca, ela fez um trocadilho)

Quando uma foto de uma menina magra aparece no Tumblr, ela bizarramente se transforma em um ser ideal, ou é detonada. Não há um neutro, “Oh, ela é bonita”, porque se você tiver um pingo de feminismo e auto-estima, você deve odiar as meninas magras e prefere morrer do que aparentar assim. Isso não é uma hipérbole, a propósito. Eu vi uma imagem de uma garota muito atraente, magra, com a legenda: “Eu prefiro me matar do que ser tão [palavrão] magra. Puta”.

Querem saber, senhoras e senhores? Essas mulheres têm histórias. E às vezes elas não são histórias que você deva saber.

Talvez que “puta magra” é uma menina tentando redefinir sua beleza enquanto ela luta contra anorexia. Talvez essa menina que está repentinamente tonificada e perdeu alguns quilos está malhando com renovado vigor devido a um problema de saúde que apareceu. Talvez elas simplesmente gostem.

Não devemos julgar mulheres plus-size, porque isso é errado e eu estou em pleno acordo com isso. Então como esse julgamento se transformou no julgamento de meninas pequenas? Estou realmente curiosa: qual é o peso ideal? Qual é o ponto em que uma pessoa vai dizer: “Você está muito bem”, e estar totalmente tranquila com “estar bem” significar excesso de peso ou magro? Quando é que o envergonhamento dos magros vai parar?

Em fevereiro entrei em uma academia e amo o jeito que me sinto, mas sempre acabo me sentindo culpada depois, como se eu estivesse traindo a atual mentalidade das mulheres. Por que eu deveria me sentir culpada por estar malhando? Eu sou uma menina pequena, cuja mãe tem câncer e pai tem diabetes. Você sabe a melhor maneira de evitar seguir os seus passos até o hospital? Exercício. Mas quando eu faço isso ou falo sobre isso, eu me sinto julgada. Tenho um aplicativo no meu celular que me incentiva a buscar um amigo que possa ser meu “patrocinador”, alguém que eu possa compartilhar meus sucessos enquanto treino para melhorar o meu corpo. Doía-me perceber quanto tempo demorou para eu pensasse em alguém que eu pudesse confiar, porque os primeiros amigos que me vieram à mente que eu temia que ficassem irritados ou me julgassem, como se todo mundo achasse que eu estou fazendo isso por algum motivo superficial, Hollywoodiano, anti-feminista pelo qual eu deveria sentir vergonha.

Não. O mundo deve se sentir envergonhado. O mundo deve se sentir envergonhado por não considerar sequer por um segundo que eu, juntamente com todas as pessoas na academia, poderíamos ter uma boa razão para além da superficialidade da aparência. Eu entendo a sua motivação: você quer meninos e meninas de todos os tamanhos, todos os tipos, se se sentindo normais e bem acolhidos e bonitos, e eu posso apoiar isso. O problema é que na tentativa de abranger a todos (ou seja, o excesso de peso), nós abertamente odiávamos o outro extremo. Por que punir aqueles que tentam fazer algo de bom para os seus corpos? Ou por fazer algo exigido pelo médico? Ou fazer algo por prazer!

Eu sei que há meninos e meninas lá fora, com problemas. Tenho amigos que têm lutado com transtornos alimentares. Também me sinto inclinada a mencionar que os distúrbios não decorreram de problemas com, ou medo de, peso. Manifesta-se por todos os tipos de razões, e quem ia simplesmente sentar lá e dizer a qualquer um dos meus amigos, “Meu deus, mas você é tipo, muito magrinho!” Merece algumas palavras bem escolhidas, começando com: “Você é o superficial.” Pare de fazer isso ser sobre o peso e comece a fazer isso ser sobre saúde.

Eu quero me sentir bem. Eu quero ser capaz de correr um quilômetro novamente. Eu quero ser capaz de levantar uma sacola de compras sem o meu ombro estalar de dor. Eu quero ser capaz de ir em uma caminhada com meu namorado e não esbofar depois de vinte minutos. O bônus será eu vou dar uma secada, as coisas vão parecer e ter um caimento melhor, e eu posso usar aquele vestido de super-fabuloso da ModCloth que NÃO CABE MAIS EM MIM, A OUSADIA. E eu vou estar tão fantástica e você não me julgarão por isso, porque agora vocês entenderam que eu tenho uma história. Assim como os outros. E como você provavelmente.

Podemos abrir mão agora, senhoras? Podemos simplesmente deixar o outro a tomar decisões saudáveis, sem as sobrancelhas levantadas e apontamentos e deboches preopcupados? Você saberá quando precisar ficar preocupada, e talvez chegará um momento em que você precisa sentar-se com seu amigo que tem um excesso de zelo e discutir suas escolhas de saúde, embora eu realmente espere que não. Mas até lá, acredite que a maioria de nós está fazendo escolhas saudáveis ​​pelas razões certas, e seu apoio vai nos ajudar a chegar lá rapidamente e feliz.

Imagem em destaque “Eu sou maior que meu corpo me dá crédito” por Chris Setty

Via: Hello Giggles, escrito por Becca. Traduzido livremente.

10 Comentários

  1. Augusto lhe disse:

    Na boa, a menina que escreveu esse texto tem sérios problemas de auto-estima. Não é a toa que é estadunidense.

  2. lully disse:

    Só não entendi uma coisa: porque a mulher não participou da brincadeira e depois deu os doces pra alguém? Eu também não teria curtido ela ter saído da brincadeira, é pelo espírito de interagir com os colegas.
    Estar dieta não quer dizer se excluir do mundo. Você pode ir na pizzaria com os amigos, só que talvez você deva fazer um lanchinho antes… Dieta não é ser radical, é ser consciente.

    1. Tipo assim, se vou numa pizzaria, não é comer antes que me vai fazer deixar de me entupir de massa, carboidratos e refrigerantes. Isso pode funcionar para algumas pessoas, mas não para todas. Para algumas pessoas, a única forma de não comer mais do que o necessário (para não falar em comida não nutritiva que só presta para engordar) é NÃO SE SUBMETER À TENTAÇÃO.

      A mulher do exemplo sabia que se comesse um doce, iria comer tudo. Meu caso é assim. Isso envolve mesmo pegar os doces que não se pretende comer, e levar para casa para dar para outra pessoa – se estiver em seu poder, há um risco grande de você comer sem precisar. Tem gente que é assim, e se a mulher achou melhor não participar da brincadeira, era um direito dela. Ninguém deveria ter criticado.

      Concordo inteiramente com o post, que dita que a pessoa deve ser respeitada pelo que é, contanto que esteja satisfeita com sua aparência. Os padrões de beleza magra da sociedade são doentios e não devem ser impostos a ninguém, e quem se sente bem em não se conformar a esse estereótipo, deve ser respeitado. Por outro lado, quem QUISER ser magro e se sentir bem com isso também deve ser respeitado.

      Apenas discordo do ponto tocante ao feminismo, que diz que uma mulher feminista criticaria uma mulher por ser magra. O feminismo JAMAIS criticaria uma mulher por ser aquilo QUE ELA MESMO DECIDIU, sem lhe ser IMPOSTO por terceiros.

      No passado, o modelo de beleza feminino era gordura. Hoje, em boa parte do mundo, magreza absoluta. No Brasil especificamente, cintura fina e bunda grande. E em todos os casos, mulheres se sentiram compelidas a se conformar a estes padrões, mesmo que não quisessem – é contra isso que o feminismo fala. Também fala contra a objetificação da figura feminina.

      Um dos objetivos do feminismo é que a mulher seja livre para tomar decisões sobre o próprio corpo, inclusive ser gorda, magra ou o que quiser.

  3. Luh Guedes disse:

    Não acho que tenha problema com auto estima. O problema são os paradigmas que criam o tempo todo, o corpo ideal e a pessoa não ter estrutura o suficiente para lidar o foda-se para o que pensam. Seres humanos adoram julgar e nem todo mundo consegue lidar com isso. Eterno bullying alimentar!

  4. Jéssica disse:

    Muito bom. As pessoas deveriam aprender a manter a boca fechada ao inves de falar mal das outras, sendo que nem compreendem a vida dessa.

  5. Gabriela disse:

    Realmente…eu tenho estatura mediana e peso 55kl,e começei uma academia recentemente,não por estética,mas porque tendo problema no coração,e faço exercício pra não ter infarto um dia…escolhi uma academia só pra mulheres,pq não tenho tanta segurança com meu corpo pra malhar na frente de homens,e me sinto mal as vezes quando vejo um mulher “gordinha´´ lá,acho ela vai me odiar por estar lá.Achava que era paranóia minha,e me sentia idiota por pensar que eu devia pesar mais para agradar elas,mesmo sabendo que meu tipo fisico é assim,pq a genética da minha familia é ser magra.Na academia só tem mulheres,ou idosas,ou gostosas/atléticas,ou gordinhas,e eu,que sou magra,nova e fracote,me sinto deslocada por ter meu corpo diferente dos delas,o que antes não me incomodava,agora incomoda,pois antes eu não ligava pra minha aparência,agora eu quero mudar pra poder me encaixar.

  6. Marcela disse:

    Resumindo querer ser SAUDÁVEL deveria ser um comportamento tão normal quanto tomar água! Só merece criticas positivas e incentivo.

  7. Iceman disse:

    É assim mesmo.
    Todo mundo critica as pessoas que frequentam academia, levam a sério e fazem dieta.
    Já as pessoas que se acabam em noitadas regadas a alcool não são criticadas.

  8. Lisa disse:

    Sempre fui magra, de ser chamada de Olívia Palito na escola, mas aprendi a aceitar o meu corpo e curti-lo. Sobre essa coisa de envergonhamento dos magros, o que mais me trás asco são frases como “mulheres de verdade têm curvas” ou “homem gosta de ter algo pra pegar”. Resumindo, não sou mulher de verdade e meus contornos naturais, que existem em qualquer mulher em diferentes proporções, sequer podem ser classificados como curvas. Todas as formas naturais femininas devem ser celebradas, mas é mais fácil se aceitar odiando o extremo oposto pelo jeito…

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