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Malvadas, vilãs e femme fatales

por em 1/04/2012 às 19:12

Contos e Textos, Outros autores

Por Alex Castro

Confesso: amo as mulheres más. As rainhas malvadas, as femme fatales, as vilãs diábolicas, as bruxas perversas, todas elas.

Desde criança. Enquanto os outros meninos tinham tesão pela Batgirl ou pela Princesa Leia aos pés do Jabba (cena triste, uma mulher forte assim dominada), meu tesão eram a Madrasta Má, a Malévola, a Maligna. Xayide, a rainha malvada do filme A História sem Fim II, me excitava mais do que qualquer exemplar da Playboy.

Uma vez, bem pequeno ainda, cheguei a perguntar à minha mãe porque sempre ficava com vontade de fazer pipi quando aparecia a Mulher-Gato, aquele mulherão de dois metros de altura, durante o seriado do Batman. Não lembro a resposta, pobre da minha mãe.

Sempre preferi a gargalhada sinistra de uma vilã sarcástica a todos os doces suspiros das mocinhas mais lindas e vulneráveis.

De vez em quando, encontrava meninas dark, que se diziam bad girls e, antigamente, ficava até mezzo-interessado. Será que eram mesmo? Meninas podem ser incrivelmente perversas. Mas, como descobri a duras penas durante a adolescência, meninas dark e misteriosas raramente são sensuais e malvadas, quase sempre apenas revoltadas, complexadas e complicadas. (Para poder vestir em si mesma o arquétipo da femme fatale, uma mulher precisa ser razoavelmente segura de sua identidade, de quem é e do que quer ser.)

Além disso, o termo “bad girl” foi deturpado. Hoje em dia, heroínas como Lara Croft e Witchblade são rotuladas de bad girls só porque são fortes e decididas, só porque tomam posse de sua própria sexualidade. Não deixa de ser um sintoma do nosso machismo galopante que qualquer mulher mais forte e sexual já receba quase que automaticamente o rótulo de “bad girl”, como se essas coisas por si só já as colocassem fora do padrão de comportamento das “boas mulheres”.

Uma mulher forte e decidida é uma delícia. Uma mulher forte e decidida é tudo o que uma mulher tem que ser. Mas não são más. São heroínas, boazinhas, querem salvar o mundo. Essas não me interessam. Não na fantasia.

O que é, então, ser malvada?

Difícil de definir.

Afinal, o que é bom pra um é mau para outro. Todos fazemos pequenas crueldades no dia-a-dia. Coisas que não pensamos que são maldades, mas que são vistas como tal. A malvada, pelo contrário, seria a pessoa que pratica essas pequenas maldades conscientemente, sabendo e pensando que são maldades, e por puro prazer. Que se sabe má, que se diz má e que sente tesão em ser assim.

Amo vilãs como a Hera Venenosa, sempre tramando exterminar a raça humana e substituí-la por plantas. Não pensa nas criancinhas do mundo, não quer saber de nada, só da satisfação dos seus objetivos. Tem um plano e vai em frente. Com seus beijos venenosos, ela domina a vontade dos homens e os transforma em escravos, somente para depois descartá-los. Perfeita.

As vilãs são egos sem superegos. Nada mais sexy do que uma mulher linda, inteligente e poderosa que sabe que é linda, inteligente e poderosa. Ela não liga para mais ninguém. A felicidade dos outros, até mesmo suas vidas, tudo irrelevante. Homens? Ferramentas, pra ser usados e jogados fora. Só quer saber mesmo dos seus planos, do seu prazer, da sua felicidade.

E eu, que sou podólatra assumido, amo os belos pés das mais malvadas vilãs. Adoro aqueles filmes de época, com rainhas parcamente vestidas, cercadas de escravos plácidos, tomando reinos, conquistando países, executando sumariamente seus inimigos. E me vejo aos pés da perversa, lambendo seus dedinhos enquanto ela conquista o mundo. Ou sendo seu escravo sexual durante uma noite de ardente prazer, para depois ser jogado aos leões.

Nada disso é real, claro. Nada disso poderia ser real. A vilã das minhas fantasias é um monstro sem limites da qual eu só quero distância. Mas continuo sonhando com ela, pois não temos controle sobre os sonhos. Não tem jeito: minhas mais profundas e antigas fantasias sexuais sempre incluem vilãs perversas, rainhas malvadas, mulheres assassinas, feiticeiras diabólicas.

As mulheres realmente dominadoras que se envolveram comigo sabem que não tenho muita vocação de submisso. Sou mais para cúmplice cínico e descartável, aquele que acompanha a vilã, ajuda nos seus planos, faz todas suas vontades e, no final, é descartado junto com as vítimas.

Não tem jeito. Quem mexe com fogo é pra se queimar. Como se envolver com mulheres perversas e não acabar queimado? Alex, ela diz, com sua voz aveludada e doce, acho que não preciso mais de você… E pronto, já era eu.

Quanto mais perversa, egocêntrica e psicopata, mais me excito.

Só uma fantasia. Ou não.

Confesso, sinto tesão por vilãs perversas, egocêntricas e psicopatas, mas só na fantasia. Na verdade, uma mulher assim seria um monstro que teria que ir preso. Não seria alguém com quem desenvolver nenhum tipo de relacionamento. Meu pau aqui em riste não significa endosso das malvadezas. Só tesão mesmo, puro e simples. Tesão pelo arquétipo da femme fatale, da mulher má, da diva egoísta.

Por mais cruéis e monstruosas que sejam, como não nos sentirmos fascinados por mulheres tão incrivelmente poderosas e sensuais? É o próprio perigo que nos atrai. A tentação de brincar com fogo e, quem sabe, não sair queimado.

Sim, esse arquétipo é mais antigo que andar pra frente, a Bíblia está cheia delas (confesso que tive paixonite por Jezebel), e não quer dizer necessariamente nada de bom. Pelo contrário, durante milênios, ele foi apenas o outro lado de “mulher santa pra casar”, uma identidade binária que enclausurava todas as mulheres: ou se era um ou outra. Colocar a mulher nessa posição era somente mais uma maneira de tirá-la do caminho, de lhe negar profundidade e complexidade, de desumanizá-la.

Além de ser absurdamente sexy e de me levar quase à loucura, a femme fatale tradicional cumpre uma função social importante: justificar tanto o medo que os homens têm das mulheres quanto sua tirania sobre elas. Afinal, se deixarmos as mulheres correrem soltas, imagina o que pode acontecer? Vagina dentata! Pra cozinha com elas!

Hoje em dia, entretanto, as coisas vão mudando. Um pouco.

Não são apenas os homens os únicos atraídos pelo paradigma da mulher fatal e perversa. As meninas, expostas à mesma cultura e cada vez mais independentes, não raro percebem (quase sempre pra sua imensa surpresa e estranhamento) que admiram e invejam as malvadas; que gostariam de sentar em seus tronos e entrar em suas meias arrastão; que pode ser um tesão, nem que apenas na fantasia, se imaginar assim sexy e poderosa, perversa e egoísta. Querem provar a delícia de ter um homem aos seus pés, derrotado, humilhado, entregue.

Falei que as vilãs são egos sem superegos, e talvez esse seja o ponto principal. Quase toda mulher que conheço sofre de um excesso de superego. Vivem oprimidas por mil regras, desde a obrigação de se depilar até não poder transar quando querem “porque o que ele iria pensar de mim!”, sempre vigiadas pelos olhares atentos de amigas, parentes, namorados. E a femme fatale é uma máscara, um persona, um arquétipo que podem vestir e, por algumas horas que seja, experimentar uma liberdade catártica e exuberante.

Meu verdadeiro fetiche é pelas mulheres de carne e osso, lindas e inteligentes, tantas delas minhas amantes e amigas, que também são atraídas por esse mesmo arquétipo, que adoram a fantasia de ser essa mulher e de ter escravos apaixonados aos seus pés para usar e abusar, que gozam com a suprema liberdade de um egoísmo sem limites e de poder não se preocupar com nada nem ninguém, que se excitam ao se imaginar malvadas e poderosas, fúteis e vaidosas, gloriosas deusas do mal.

Como descobrir as malvadas

Com o tempo, fui descobrindo cada vez mais maneiras de detectar onde estão e quem são as mulheres malvadas que tanto gosto. Não é nem muito difícil. Indicadores não faltam. Os nossos gestos revelam quem somos, principalmente em público. Linguagem corporal é tudo.

Pode ser num café, numa praça, na biblioteca, até mesmo na sala de aula. Estão vendo aquela moça, sapatos largados no chão, pés em cima da mesa, da cadeira ou do banco, languidamente fumando um cigarro, lendo um livro ou falando no celular? Deixa eu apresentar ela pra vocês.

Essa mulher não se preocupa muito com o que os outros estão pensando, ou se a sua postura é apropriada, ou mesmo se ela pode colocar os pés ali: ela adapta o mundo a ela, não vice-versa; sabe o que quer e faz, sem se importar muito com os outros. Seu gesto é transgressor e, como toda transgressão, é egoísta e arrogante: o transgressor é aquele que pensa primeiro em si e depois na coletividade. O que lhe interessa é seu conforto e seu prazer: se tiver que quebrar algumas regras para isso, paciência.

(Já a mulherzinha tímida, humilde, inibida, fraca, dependente jamais colocará os pés para cima em público. Ela será tomada por milhares de dúvidas: “será que pode? Será que não vão me chamar a atenção?” Olhará em volta: “não tem mais ninguém com os pés em cima do banco, melhor não…” Depois, vai pensar na sua imagem e nas coisas que sua vovozinha lhe ensinava, não é feminino colocar as pernas pra cima, “coisa de homem, minha neta!”, mulher senta é de joelhinho apertado, ou de perninha bem cruzada, tentando se dobrar em si mesma, ocupar o mínimo possível de espaço, e quase sumir, pra não incomodar de ninguém – jamais se espalhando languidamente em um banco como se ele fosse sua própria casa.

E mesmo assim, ainda haveria uma última dúvida cruel: tiro os sapatos ou não? “ai meu deus, seria falta de consideração colocar os sapatos assim em cima do banco, estão sujos, alguém vai sentar aí depois, o que iriam pensar de mim…?” Mas, por outro lado, “ai jesus, como é que eu vou tirar os sapatos?!, meu pés são horríveis, que vergonha!, e ainda não fiz as unhas essa semana, e cruzes, acho que estão com cheirinho…!, será que alguém vai perceber? ai minha santa virgem!, melhor não…” Com essa mulher, deus me livre, eu não quero nem conversa.)

Estamos sempre transmitindo informações para todos à nossa volta. O enorme e desengonçado rabo colorido do pássaro macho simboliza que ele é tão foda e saudável que, mesmo com aquela tremenda desvantagem prática, ainda conseguiu não ser comido por nenhum predador. E a mulher que tira os sapatos em um lugar público e coloca os pés para cima está sinalizando que ela é, a princípio, tudo o que eu procuro. Desinibida, transgressora e dominadora. Individualista, exibicionista e hedonista. Forte, livre e egoísta. Uma diva. Perfeita.

Eu levanto minhas anteninhas vibrando e venho de onde quer que esteja. Puxo papo, convido pra um café, peço pra tirar uma foto, qualquer coisa. Assim como a leoa que vai se esfregar no macho com maior juba, estou tranquilo na certeza de estar fazendo nada mais do que o meu dever biológico.

Atraindo as leoas

Quando digo que gosto de mulheres malvadas, a maioria das pessoas simplesmente não entende o que quero dizer com isso. Não tem problema: meu objetivo não é explicar o mundo aos desavisados, mas atrair os entendidos.

Não conto essas coisas à toa. Não tenho prazer em chocar nem em me mostrar. Sei que a caixa de comentários desse texto vai ser feia. Muitos idiotas vão me sacanear e serão olimpicamente ignorados por mim.

Mas tenho prazer em desentocar iguais. Não me interessa quem vai achar isso tudo um absurdo, mas quem vai achar isso tudo um tesão.

Eu me revelo justamente para descobrir quem vai bailar comigo e quem vai se encostar na parede. Muita gente me acha esquisito? Claro. Essa é a ideia. Não tenho medo de rejeição. Ser rejeitado pelas pessoas pequenas só faz bem. Os pequenos se afastarem de mim por conta própria me poupa o trabalho de espantá-los a pauladas.

Troco alegremente a rejeição dos pequenos pela aceitação dos grandes. Vale a pena afastar mil bois para atrair uma única leoa.

Quero saber das mulheres. Já teve fantasias assim? Tem prazer em se imaginar perversa, poderosa, malvada? Já teve vergonha desses desejos? Já cedeu a eles?

Se você quer se abrir e conversar sobre isso, não precisa se expor nos comentários: escreve pra mim.

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Quer ler este texto na íntegra? Clique aqui!

6 Comentários

  1. Natália disse:

    Eu amei… acho que me vi na situação de quem coloca os pés em cima da mesa,ou pior a NORMALISTA que ama andar descalça na sala de aula há meses atrás. Fascinou e inebriou… Fez sentido tantas vezes que fui e ainda sou sensurada ou chamada de doida. Eu só vivo e não tenho medo de sentar com as pernas abertas,de andar descalça pelo quintal,de ser moleca,ou de me perder numa roda de amigos falando sobre coisas que pra minha mãe e pra alguma de minhas amigas é FEIO. Eu amei. Decididamente conversou comigo esse texto. Beijinhos e Parabéns!

  2. Keila disse:

    podem me chamar de louca, quem não nasceu louco? >)
    mas penso bem que é o faro que me acerta, minhas companheiras dizem que é esse o motivo. nunca ouvi da visão masculina sobre isso, mas esse texto é uma boa fonte de estudos.

    explicativa para a ‘raiz do mal comportamento’? penso que vc só olha o que qr e como toda a criança quer pegar, brincar, morder, maltratar até enjoar. se abusou, largue , afinal ele ja não satisfaz as suas expectativas
    dai vc senta e observa e procura outro ‘cheiro’ que satisfaça

  3. P. disse:

    meu namorado, tambem tem muito tesão em garotas malvadas, e foi assim que roubei ele da ex. Quando me viu a primeira vez disse que me achou meiga, e delicada, mas depois de passar a madrugada ficando comigo, disse que eu tinha uma pitada de maldade guardada em mim. E pra falar a verdade eu ja acho normal essa maldade interior… kkkk
    É uma delicia ser uma garota malvada, desgradar os garotos desinteressantes e certinhos, e atrair os homens misteriosos e quentes!
    Amei seu texto

    1. Bob disse:

      Minha filha o que vc vai conseguir atrair é só marginal sem noção ou algum babaca submisso que vc vai enjoar logo,logo. Homem que se preze vai querer é distância de vc.

  4. Flávia disse:

    Me percebi sorrindo ao ler esse texto, e olha que hoje estou de péssimo humor…mas creio que você tenha deixado passar alguns detalhes…nem todas as mulheres seguem as regras pela coerção que sofrem, mtas delas tem consciência da repressão, mas seguem as regras porque naquele momento convém, elas jogam com as regras e não são reféns delas…um outro aspecto: tem muitas “lolitas” que surpreendem… ;)
    adorei o texto, espero ler outros como este…

  5. Sempre que me sento num bar, tiro o calçado e coloco as pernas p cima, Nunca imaginei que tal atitude fosse vista por alguém como algo tão profundo…rsrsrs Tipo, eu faço isso apenas pq me sinto mais confortável assim…Enfim, parabéns pelo texto. =D