O Malvadas foi convidado para fazer uma troca de posts com o Papo de Homem. Eles publicaram um texto aqui e nós escrevemos lá sobre a posição Doggy Style. Abaixo o texto de Gustavo Gitti:
O que está nas revistas, nos filmes e em nosso imaginário acaba indo para a cama. Se olhamos para o sexo e vemos posições sexuais, é assim que vamos praticá-lo. Para acabar com esse mito das posições sexuais, no ano passado propus um experimento que mostra como nossos movimentos na cama são fluidos e impossíveis de catalogar: “Sem tirar: como emendar quase todas as posições sexuais“.
Com isso em mente, agora foco no que de fato importa. São várias as palavras para apontar esse aspecto de energia no sexo. Vigor, potência, postura, presença, atitude, pegada… De brincadeira com minha namorada, eu o chamo de “groove”. Não chega a ser algo apenas interno, pois se expressa completamente em cada metida, mas é também interno, como se fosse um espírito que anima o corpo, algo que nos infla, move, impulsiona, imanta, eletriza, dá brilho no olho.
Sem tal postura ou eletricidade, uma posição bem insana (como um anal com ela de pernas pra cima e você metendo pra baixo) pode virar algo morno, meia-boca, sem graça, assim como uma posição mais careta (como a tal do “papai e mamãe”) pode se transformar num momento avassalador, se houver vigor.
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| “Baby, cada vez mais piro nessa posição..”. |
Entre incontáveis posturas sexuais, escolhi cinco qualidades que podemos encarnar (ao mesmo tempo, se possível) em qualquer transa:
Antes, durante ou depois, seriedade acaba com o sexo. É ela que impede uma brochada de virar logo massagem, beijo, boquete, até uma deliciosa foda. É ela que cria vários pés atrás, hesitações e obstáculos que não deixam o sexo avançar, se intensificar, se aprofundar. É também a seriedade um dos responsáveis pela ausência de pequenas encenações no sexo, afinal não precisamos de uma fantasia para brincar, enganar, simular, jogar um com o outro.
A brincadeira, a malícia, a malandragem, a fantasia, tudo isso surge de uma postura lúdica que nos faz sorrir e abre espaço para o prazer.
Sabe quando o cara não pede licença, não abre discussão democrática e não pede opinião nem confirmação posterior? Ou quando a mulher não perde tempo com beijinho na barriga e vai direto com a boca onde interessa? É essa capacidade de avançar sem medo, sem tentar agradar, que aumenta nossa potência no sexo.
Lembro de uma vez que comi o cu de uma garota na escada de um shopping. Ela não estava muito excitada, mas eu estava maluco e gozei dentro. Na hora ela não gozou, mas depois me contou que gozou mais de uma vez lembrando daquela cena. Impetuosidade é saber que às vezes o desrespeito é a melhor forma de respeitar o outro.
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| Sem pedir licença, direto ao ponto. |
Num certo sentido, todas as posturas devem ser vigorosas, ou seja, com energia, vivacidade e um toque de força. Mas aqui falo da qualidade mais potente, quase de agressão (porém muito longe de qualquer agressão!), que o sexo pode manifestar. Para não falar demais e ser interpretado como um texto que promove a violência contra a mulher, paro por aqui.
Muitos pensam que o melhor sexo é feito meio que alucinando, viajando, sob efeito de drogas ou completamente fora de si. Na verdade, o maior prazer vem justamente quando estamos presentes: nem autocentrados em uma viagem, nem excessivamente atentos no sentido de controle, checagem e verificação.
Tal estado de entrega ao momento precisa vir junto com o que é chamado de mindfulness, atenção plena. Nossos sentidos se ampliam, os olhos abrem mais e piscam menos, a percepção se aprofunda, os movimentos se tornam mais precisos, sem hesitação. Estamos ali, disponíveis, prontos. Podemos levantar nossa mulher do chão e continuar metendo ou simplesmente parar tudo porque estamos atrasados para uma festa.
Quanto mais espaço e tempo, melhor. Com mais espacialidade e uma demora maior entre um segundo e outro, nosso corpo consegue sentir mais e mais prazer sem a necessidade de liberá-lo, de reagir, de gozar logo. Essa expansividade é fruto de relaxamento e respiração profunda.
Parece paradoxal, mas dá para meter freneticamente e manter a respiração longa e profunda, principalmente focando em soltar o ar, mais do que puxar. Essa expansão é interna e externa. Parece que a bunda da mulher fica maior, as paredes, o teto, o quarto, nosso corpo, nossa mente, tudo se amplia junto.
É isso. Mais importante do que a posição em que estamos trepando, é nossa postura, a qualidade de nossa presença.
* Gustavo Gitti
Baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É autor do Não2Não1 e coordena a Cabana PapodeHomem. No Twitter: @gustavogitti.
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Muito bom o texto hein… parabéns!
Agora é só praticar…