Olá! Eu não sei exatamente como lidar com pessoas. O primeiro ponto é que eu não minto. Não vou dizer que não minto nunca, mas vamos supor que uma pessoa, pode ser alguém que eu conheci ontem a noite venha vestida com uma calça super chamativa que não cai bem, mas que está se achando o gelo que faltava no deserto e pergunte se está bem com aquela calça. Se eu achar que está ruim, eu falo (e emendo que essa é uma opinião minha, se ela se sente bem com a calça, deve continuar usando), mas não sei exatamente onde eu erro, porque costumam dizer que eu “dou patada”, já perguntei, mas ninguém soube explicar. O mesmo ocorre com os homens. Eu não sei ter aquela malícia que as mulheres têm, aquela coisa de conquistar aos poucos.
Eu acho lindo-maravilhoso, mas eu não sei fazer nada disso. É uma falta de jeito que me faz parecer um elefante andando de patins no chão amanteigado de uma vidraçaria.
Aí, pelos últimos três homens por quem eu me apaixonei, eu cheguei e falei, sem piscar, o que eu sentia. Com o Luís até que foi tudo muito gostoso, ele foi sensacional e a gente ficou junto por quase um ano. O que nos separou é que ele teve que se mudar para o sul e eu não pude acompanhar. Hoje ele está noivo e ainda somos amigos, e estou feliz que a vida dele esteja dando certo, porque ele merece tudo isso e mais.
Com o segundo, ele me olhou de cima abaixo, como se eu estivesse xingando a mãe dele de alguma coisa terrível e ficou me isolando por um bom tempo, até que eu mandei ele plantar couve na ponte de Paris e nunca mais quis nem saber notícias.
O terceiro, Vitor, disse que se sentia honrado pelo que eu estava dizendo e ficou me enrolando por quase seis meses. Até que segui o exemplo do segundo e sumimos mutuamente um da vida do outro.
O fato é que eu tenho uma auto-estima meio baixa. Sei disso e sei que daria um bom material para alguns terapeutas. Mas eu juro que eu tento não deixar que isso me atrapalhe, apesar de saber que faz mais estragos do que seria bom.
Enfim, faz sete meses desde que falei pela última vez com o Vitor e recentemente comecei a reparar em um dos meus colegas de trabalho, é um carinha tranquilo que nem eu, às vezes a gente conversa sobre livros, e ele é super fofo. E eu gostaria de conhecer ele melhor, mas depois da história com o homem-couve e o Vitor, tenho um medo insano de chegar no Bruno, não aguentaria esse tipo de rejeição de novo, e não queria deixar o clima no trabalho ruim. Já pensei em chamar ele pra tomar alguma coisa depois do expediente, mas eu não saberia como falar com ele fora do lugar onde trabalhamos (ah, sim, esse é outro ponto, eu tenho problemas sérios para emendar conversa com as pessoas. Gosto de escutar, até que dou bons conselhos, mas eu nunca consegui ter conversas amenas e existe um limite para debater um assunto mesmo que esse seja sobre livros).
Eu não sei mais o que fazer. Só sei que não queria virar uma tia solteirona rodeada por gatos (dos que fazem miau).
E aí? Alguma dica?
Elizabeth
————-
Querida, eu sei EXATAMENTE como você se sente, porque sou assim também. Já que me sinto uma retardada tentando dar “tiradinhas sedutoras”, eu aposto nos silêncios e nos sorrisos. Porque… né? Seleção natural, a gente tem que se adaptar, senão só os gatos que fazem miau, mesmo, hahaha.
Enfim, eu consegui acalmar a minha língua ferina por um tempo (o meu negócio é comentário sarcástico). Minhas amigas me xingavam porque eu afasto os caras assim, fico me tirando eles, brincando e etc… Acha que deu certo? Não, não deu. Até porque se eu tivesse que segurar as minhas piadas para que o moço se sentisse o macho alfa… bom certamente ele não é alfa e muito menos é meu macho. Eu PRECISO de bom humor e sarcasmo, senão eu perco o interesse.
Então eu penso que o negócio não é PARAR de fazer, mas sim dosar a acidez. As suas verdades podem ofender algumas pessoas, você tem que ter MUITO jeito para seus comentários não serem como um soco no rim. Os seus amigos devem estar acostumados, mas os caras que você tem interesse podem fugir rapidinho (é o que acontece comigo).
Quando você gosta de alguém, esta pessoa precisa perceber isso. Só que você chegar dizendo “gosto de você, quer sair comigo?” às vezes pode assustar, se é do além. O negócio dos silêncios e sorrisos é só um modo que eu achei de equilibrar as minhas piadinhas. Um silêncio bem colocado é mais sedutor do que muita coisa e um ótimo sorriso é pra matar, né?
Enfim… perceba os momentos de dar o seu melhor sorriso e de oferecer o seu silêncio, você vai mostrar interesse desta forma e se ele continuar vindo na sua… convida ele para um café mesmo, ou um showzinho em um bar qualquer. Não tenha medo do silêncio, só isso.
Um beijo meu,
Gabe
gabe@malvadas.org