“Ela escreveu um artigo sobre como a música eletrônica pode curar. Entre os e-mails e pautas que chegam até a nossa redação, o seu texto nos chamou a atenção e resolvemos entrevistar Vanessa Gonçalves, mentora e fundadora da página: http://www.malvada.blogspot.com/.
Vanessa, natural do Paraná, criada em Curitiba é jornalista e dedicou quase uma década de sua vida a escrever em blog. A paranaense fala sobre a sua trajetória e atual relação com a eletrônica – “A música eletrônica continuará sendo uma das trilhas da minha vida, mesmo não sendo mais o foco dela”.
Quem gosta de música eletrônica?
Para apreciar a música eletrônica tem que ter um gosto refinado. Não falo isso para dizer “Oh, somos fodinhas”, muito pelo ao contrário. Cada um gosta do que quer. Me lembro que quando mais nova não compreendia como que uma mistura de sons poderia se chamar de música. Sem letras, sem cantor, apenas batidas.
Como surgiu seu gosto por música eletrônica?
A minha paixão começou em 2003, quando fui pela primeira vez em uma grande festa eletrônica em Curitiba, a Xxxperience. Na época eu estava acostumada a frequentar festinhas sem muita produção. Então quando cheguei naquela festa e vi o que realmente era… Pensei… É disto aqui que eu gosto! Tinha uma amiga que era totalmente para frente do tempo, sempre foi. Ela me passava os sons e eu dizia para ela que não me seduzia. Eu amo música e passei a estudar a tal da e-music e vou te falar, graças a Deus isso aconteceu.
O que te impressionou mais?
Vi as pessoas dançando com a alma. Sabe o que é dançar com a alma? Cada um na sua batida? Sem passinhos, sem nada. Apenas sentindo a música e entrando dentro dela. Ninguém se importa como você vai vestido, como você dança, ninguém tá ali para pegar ninguém, simplesmente está ali para apreciar a música.

O que você acha da cobertura que a mídia dá para a música eletrônica?
Acho que os sites ainda são a grande mídia da música eletrônica. As demais ainda são preconceituosas. Na TV pouco se vê e nas revistas pouco se lê, a não ser quando um traficante é preso com tantos comprimidos de ecstasy, lsd. E isso é uma pena, até por eu fazer parte da mídia.
Você fez um documentário sobre as drogas e o cenário trance em Curitiba, como foi?
Difícil. Não tinhámos apoio do governo Estadual. Recebemos apoio da Polícia Civil de Curitiba, mas os dados, de certo modo, eram favorecidos para a polícia. Foi bacana. O resultado nos agradou porque tinhámos em primera mão um trabalho que nem o governo tinha. Em seguida, começaram os projetos anti-drogas no Paraná.
E as drogas nas festas eletrônicas?
Não é SÓ nas Raves. Existe droga em qualquer lugar, pagode, sertanejo, micareta. Existe droga em Rave sim. Muitos acreditam que o efeito do Lsd e ecstasy intensificam os sentidos, além de aguentar a longa duração das festas. O que não pode é dizer que só vai drogado em festa. Primeiro que existe uma fiscalização, como nem uma outra, para entrar nas festas. É exigido documentação e menores de 18 anos não podem entrar, se entram, é de modo irregular. Hoje em dia, já passou a fase de ser moda ir em Rave, então não acredito tenha mais tanto apelo as drogas.
Já viu algum incentivo contra o uso de drogas em Raves?
O cenário eletrônico se queimou com a mídia. Faltou informação e todos acreditam que quem frequenta raves é drogado. A maiora dos amantes de e-music são contra os ‘fanfarrões’ que vão em festa para se drogar. Para julgar, tem que ir, frenquentar e aí sim formar uma opinião a respeito. Um exemplo de incentivo contra, são os diversos projetos de Raves sem drogas, como eu falei, tem que pesquisar antes de formar opinião.

Você ainda frequenta Raves?
A música eletrônica continuará sendo uma das trilhas da minha vida, mas não será mais o foco dela.
O que acha da cena eletrônica hoje no Brasil? E no mundo?
Acredito que hoje em dia as coisas estão mais parelhas. Não existe mais tanta diferença entre o Brasil e o resto do mundo. Claro que ela fervilha mais onde ainda seja novidade.
O que você mudaria?
Incentivaria as pessoas a manterem como foco a música, o resto é bobagem. Só quem está com a mente limpa é que realmente consegue sentir a música.
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Não sabia que este post ia render tanto. Acho que a entrevista será editada, mas enfim!Tweet


É, nem sempre os dias são rosas. E quando rola a TPM? Nossa! Haja paciência. Aconselho, neste caso, comprar um MP7, colocar no ouvido com os fones escondidos e balançar a cabeça de dez em dez segundos enquanto conversarem, adicionando a frase: “Sim amor, você tem razão!”. Você estar num dia ruim? Esqueça. Você não tem direito a isso. É, a missão é impossível sim, mas quem disse que não seria?





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